Para a realização desta proposta, foi-nos pedido que escolhêssemos um adjectivo e que posteriormente, numa primeira abordagem, o ilustrássemos através de uma fotografia. O adjectivo que escolhi foi transparente e a minha ideia foi representa-lo de uma forma mais objectiva e literal, recorrendo à utilização de um corpo que na realidade é opaco, mas que através da manipulação com uma máquina fotográfica analógica, se torna transparente. Para isto, fotografei cerca de cinco imagens sobrepostas de um corpo humano. A transparência torna-se evidente na fotografia, no entanto, por detrás disto, existe ainda um lado mais figurativo no qual a transparência é abordada como característica da personalidade humana.
Para a segunda parte da proposta deveríamos representar a mesma palavra mas recorrendo a duas fotografias que apenas juntas conseguissem fazer essa representação e não separadamente. Assim sendo, optei por trabalhar com duas representações de algo que é transparente, o vento, algo que não vemos, apenas sentimos. Comecei por fotografar um cata-vento e um campo com árvores, mas este último, por não ser uma ilustração tão directa, foi substituído por uma fotografia de uma rapariga a soprar um dente-de-leão, centrando-me na ideia de sopro como forma de fazer vento.
A terceira parte da proposta consistia na representação da mesma palavra através de uma sequência de imagens. À semelhança do exercício anterior, trabalhei mais uma vez com uma representação de algo transparente, neste caso a água. A minha ideia foi então criar uma sequência onde o gelo, enquanto estado da água opaco, derrete e lentamente se vai tornando cada vez mais transparente até atingir a transparência total quando se transforma em água no seu verdadeiro estado liquido. No fundo, procurei, tal como no primeiro exercício, através da opacidade obter a transparência, mas neste caso por meio de um processo natural e não manipulado.
Por fim, a última parte da proposta pedia a realização de um pequeno video representativo da mesma palavra. Aqui voltei a trabalhar a passagem do opaco para o transparente mais uma vez através da água. Numa cabine de banho, com a água quente a correr, o vidro vai, progressivamente, ficando embaciado. No entanto, no video esta situação decorre no sentido inverso, passando do embaciado para transparente.

